O Excel das 73 abas
Era 14 de Abril de 2024 — uma sexta-feira. Tinha de entregar o IRS Categoria B no domingo, mais um trimestre de IVA na segunda, e ainda estava com 4 faturas para emitir e 2 propostas para enviar.
Abri o Excel. 73 abas. Já não me lembrava o que metade delas fazia. A terceira aba era de 2022. A décima era um cálculo de IVA que eu próprio tinha esquecido como funcionava.
Passei o sábado inteiro a tentar perceber se podia descontar o telefone, se a conta da luz contava só para a parte do escritório, se o jantar com cliente era 100% ou 50% dedutível. Liguei a três contabilistas — dois não atenderam, o terceiro disse que tinha o IRS dele atrasado.
Domingo às 23h47 entreguei o IRS. Ainda hoje não tenho a certeza de que estava correto.
"E se a gestão fosse uma conversa?"
Sou freelancer há sete anos. Faço o que faço de segunda a sexta. A parte de gerir o negócio — faturas, IVA, IRS, clientes em atraso, "quanto cobrar pelo próximo projeto?" — comia o resto do tempo.
Uma noite percebi: o problema não é que estas tarefas sejam difíceis. É que estão dispersas. Excel para faturas. Notion para projetos. Email para propostas. Calendário para prazos fiscais. Cabeça para o resto.
E se houvesse alguém — uma equipa — que vivesse dentro destes dados todos? Que respondesse "quanto faturei este mês?" sem eu ter de abrir a folha de Excel? Que calculasse o IRS sem eu ter de aprender o art. 31.º do CIRS de cor?
Pensei em ChatGPT. Mas o ChatGPT não tem acesso aos meus dados. E inventa. Pediram-me uma vez para calcular um IRS no ChatGPT e ele citou um artigo do CIRS que não existe.
Daí veio a ideia: e se construísse uma equipa de IA com acesso aos meus dados, e que nunca inventasse?
O início
Em Setembro de 2025 escrevi a primeira linha de código do que viria a ser o Freelabase. Não era para vender. Era para mim.
Os primeiros agentes nem se chamavam Sofia, Miguel, Ana, João. Eram funções: getInvoices(), calculateVAT(), simulateIRS(). Ao fim de duas semanas a usar percebi: isto é o que falta a metade dos freelancers que conheço.
Em Janeiro de 2026 mandei a três amigos freelancers — uma designer no Porto, um dev em Lisboa, uma consultora em Braga — a versão alpha. Sem cor, sem logo. A reação foi a mesma nos três: "Tu construíste isto?" → "Sim." → "Põe-me a usar." → "Ainda não está pronto." → "Não me interessa, dá-me o link."
Três decisões fundadoras
Há três decisões que fazem do Freelabase o que é. Quero ser transparente sobre cada uma.
1. Os agentes nunca inventam
Esta foi a decisão fundadora. Se a Ana (a fiscal) não souber o que é o NHR, ela diz "não sei". Se a Sofia (a financeira) não tem dados sobre uma fatura, ela diz "não tenho registo desta fatura".
LLMs são treinados para serem prestáveis — e a forma fácil de serem prestáveis é dar uma resposta plausível mesmo sem saberem. Reverter isto exige system prompts duros, validação de output, e disciplina constante. Mas não há outra forma de construir confiança.
2. Construído em Portugal, para Portugal
A Categoria B do IRS, as taxas de IVA portuguesas, a retenção na fonte, os prazos da AT — tudo isto não é "feature internacional adaptada para PT". É construído nativamente para o regime fiscal português.
3. Bootstrapped — sem rondas, sem pressa de scale
Não tenho VC nem investidor anjo. O Freelabase é uma empresa de uma pessoa, financiada com o que faturo. Isto significa que a minha lealdade é a quem usa, não a quem investe.
Diz-me o que falta
Se chegaste a esta página, viste o produto e ainda não o usas. Provavelmente há um motivo. Quero ouvir. Resposta direta — não automática.
Diz-me em uma frase. O que te faz hesitar?